A primeira letra

O meu nome é Maria.

Tenho 44 anos.

Durante a atual pandemia aconteceu-me o mesmo que a várias mulheres e homens e que resultou num aumento de 300% no número de divórcios.

Não, não é isso que estão a pensar…

Não vou falar do meu divórcio cujo processo, ainda curto, não me permite o distanciamento suficiente para escrever.

Por agora, prefiro falar sobre o que intuitivamente fiz para sair.

Quero falar sobre reaver o poder que é, e sempre foi, meu – o empoderamento… o empowerment.

Tantas vezes pergunto a quem me acompanha nesta jornada quanto tempo dura este caminho sinuoso? E o amigo presente, conselheiro, que me tem oferecido palavras de alento e mantido próxima da fé responde: “dura tanto como uma pandemia… o tempo que tiver de durar”.

E nada é mais sábio do que isto: não podemos passar pelo tempo sem o habitar. Seja qual for a nossa realidade.

A plataforma que agora inauguramos, que assume a forma de um blogue, tem como ponto de partida estes e outros momentos, em que o tempo se interrompe; em que um encanto é quebrado; uma certeza se dissipa ou uma fase se esgota.

São esses os instantes em que o caminho se faz com mais perguntas: uma crise pessoal, um divórcio, um luto, uma doença ou apenas uma fase da vida que cede, para dar lugar à seguinte. Enquanto o momento se dissipa, damos protagonismo ao conserto, porque concertare é, em latim, ordem para reunir e juntar, para repor a linha do tempo que avança, para compor, reparar os estragos e avançar na viagem.

Os artigos que aqui publicamos não são apenas empíricos, mas são baseados na evidência, científica também. Resultam do meu contributo pessoal e científico junto com mais 4 Marias, Mulheres que por caminhos cruzados se encontraram para partilhar convosco o espaço, a viagem, sem idade.

Seja qual for o mote ou o tom, começamos sempre com A Letra M.

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